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Moradores pagam por outdoor que critica aumento de criminalidade

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Cansados de serem alvo constante de assaltos, moradores e comerciantes do bairro Brasileia, em Betim, lançaram mão de uma iniciativa no mínimo ousada para atrair a atenção das autoridades. Na praça que leva o nome do bairro, no centro da cidade, um outdoor, ilustrado com a foto de um homem encapuzado empunhando uma arma, questiona a negligência dos governantes. “Não importa o partido (…) Onde vocês ENFIAM o dinheiro dos impostos?” é a pergunta que atrai a atenção de quem passa por ali.

O protesto foi organizado após o professor de inglês Carlos Eduardo Lacerda, de 33 anos, testemunhar a frustração do vizinho e comerciante Elienício Carlos Viriato, de 43 anos, em tentar acionar a polícia para investigar um arrombamento que resultou em um prejuízo de mais de R$ 16 mil para a boutique do qual é proprietário.

“Depois de esperar inutilmente pelos policiais da Companhia 174, que fica ao lado da loja, fomos até lá fazer o boletim de ocorrência e, depois de terminar, tivemos de ouvir que não havia nada que eles poderiam fazer. Ficamos muito indignados e acabamos tendo a ideia de colocar o outdoor para ver se alguém se tocava da nossa situação”, conta Lacerda.

Após orçar o outdoor em R$ 395 para duas semanas de exibição, os dois amigos saíram pelo bairro pedindo contribuições de outros comerciantes. “Quando saímos recolhendo a ‘vaquinha’, chegamos à conclusão que quase todo mundo aqui foi assaltado no mínimo duas vezes neste ano”. A iniciativa teve a adesão de mais 12 moradores do Brasileia, que tiveram de gastar cerca de R$ 32 cada.

A peça foi colocada na praça do Brasileia no dia 13 de março deste ano. Desde então, já conta com vários compartilhamentos nas redes sociais. Segundo Lacerda, o aumento em sequestros, assaltos e roubos tem sido sensível nos últimos dois anos. Além disso, ele diz que quase não há policiamento na região. “E a desculpa da polícia, que nunca resolve nada, é sempre a mesma: falta de contingente, de recursos”.

Negligência

Apesar de o crime ter sido cometido no dia 24 de fevereiro deste ano, Elienício Viriato, dono da loja assaltada, localizada na rua Rio de Janeiro, espera até hoje pela polícia. “Eles nem vieram aqui. Falaram que não conseguiram achar a rua, que pensavam que era em Belo Horizonte. Mas marcas de digitais estão lá para todo mundo ver. Além disso, pelo que conversamos com o pessoal do bairro, todo mundo sabe quem são os autores. Mas a polícia diz que não pode fazer nada”, conta. O comerciante questiona qual o objetivo de um boletim de ocorrência.

Surpreendentemente, no mesmo dia do arrombamento da boutique, a padaria Nutrivida, também localizada no centro de Betim, sofreu dois assaltos, um ao meio-dia e outro no fim da tarde. A gerente Juliana de Oliveira conta que, na semana do Carnaval, o estabelecimento foi alvo de nada menos que oito assaltos.

As ocorrências motivaram os comerciantes a saírem às ruas. Já no dia 25 do mês passado, uma manifestação saiu do centro em direção à Câmara Municipal para pedir ajuda aos vereadores.

Falta de recursos

Mais em conta, a solução encontrada por Lacerda e Viriato deverá ser renovada. Segundo o professor de inglês, a intenção é colocar um outdoor por mês, clamando os governantes por soluções.

Questionada pela reportagem, a Polícia Militar de Betim, por meio da assessoria, disse que apoia a iniciativa da comunidade do Brasileia, e que está à disposição para ouvir os líderes do bairro e discutir soluções. Segundo a PM, os moradores devem procurar o comandante da Companha 174, justamente aquela sondada por Elienício e Carlos Eduardo no caso do arrombamento.

Porém, a polícia afirma que o problema da criminalidade não está restrito apenas a Betim, mas se alastra por todo o Brasil. Ainda segundo a assessoria da Polícia Militar de Betim, o policiamento da região estaria comprometido devido à falta de recursos.

Questão que também não foge ao conhecimento dos autores do outdoor, que constatam: “Não importa o partido, PT, PSDB, ou etc.. O governo muda, porém, os sequestros, assaltos e roubos de carros permanecem o mesmo”.

Fonte: Jornal O Tempo

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